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Descredenciamento de hospitais do Issec preocupa servidores estaduais

Por ALECE
08/04/2015 21:01 | Atualizado há 10 meses

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Audiência pública debate atendimento médico aos servidores públicos estaduais por hospitais que se descredenciaram do Issec Audiência pública debate atendimento médico aos servidores públicos estaduais por hospitais que se descredenciaram do Issec - Foto: Edson Junior

Foi discutida, na tarde desta quarta-feira (08/04), a falta de atendimento médico aos servidores públicos estaduais por hospitais que se descredenciaram do Instituto de Saúde e Seguridade do Estado do Ceará (Issec). A audiência conjunta, realizada pelas comissões de Seguridade e Saúde e de Trabalho, Administração e Serviço Público, atendeu a requerimento dos deputados Renato Roseno (Psol) e Heitor Férrer (PDT).

Renato Roseno defendeu que a saúde é direito social fundamental e deve ser garantida pelo Estado. “É necessário valorizar o serviço público também pela via do servidor”, afirmou. O deputado Capitão Wagner (PR) informou que os problemas no Issec começaram quando cerca de 60 mil servidores militares foram incluídos no plano, sem aporte financeiro necessário para a demanda.

O superintendente do Issec, Olavo Peixoto Filho, afirmou que os recursos foram repassados. Em 2009, conforme o superintendente, o orçamento contava com cerca de R$ 52 milhões. No ano seguinte, quando o benefício passou a incorporar policiais e bombeiros militares, o órgão passou a trabalhar com R$ 72 milhões. “Em dezembro de 2014, o Issec fechou seu exercício financeiro com R$ 114 milhões”.

Olavo defendeu que o Issec não é um plano, mas sim um programa de saúde que beneficia os servidores. O superintendente sugere a criação de um plano, com auxílio dos beneficiados. “Precisamos, primeiro, estar enquadrados no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), porque não temos atualização de preço e mercado. Trabalhamos com tabelas internas do Issec. Precisamos viabilizar a implementação de um plano de saúde construído participativamente e democraticamente pelos atores envolvidos, principalmente os servidores”, sugeriu.

Representante do Sindicato dos Médicos do Ceará, José de Sá Júnior defendeu que a contribuição dos servidores é importante para a construção do plano de saúde, além de uma rede de credenciamento que o plano possa pagar.

O diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual do Ceará (Mova-se), João Pinto, colocou que, apesar do processo de transição, a nova gestão já deveria ter tomado conhecimento sobre os problemas enfrentados pelos servidores atendidos pelo Issec. “Não podemos admitir que o servidor público chegue em um hospital e veja uma placa dizendo que não vai ser atendido. Além da dor, o constrangimento”, disse a coordenadora-geral do Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais do Ceará (FUASPEC), Eliene Uchoa.

O presidente da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa (Assalce), Luis Edson Correa, lembrou que, em 2005, quando  a assistência à saúde ainda era feita pelo Ipec, a Assalce já havia a sugerido reunião para debater a redução de credenciamento de hospitais.  A promotora de Justiça da Saúde Pública do Ceará, Isabel Porto, informou que o Ministério Público adota medidas para que o caso não entre na esfera judicial. Em relação aos hospitais que se descredenciaram, a promotora disse que o hospital infantil Luís de França aguarda proposta do Issec para manter o convênio.

Participaram ainda da audiência a deputada Augusta Brito (PCdoB); o presidente da Associação dos Servidores do Issec, João Bosco; o defensor público Dani Esdras Cavalcante e Luciana Lacerda, da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ceara (OAB-CE).
LF/CG

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