Alece reconhece trabalho de entidades e ambientalistas pela preservação da Mata Atlântica
Por Amanda Andrade23/06/2026 18:30 | Atualizado há 1 dia
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A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou, na tarde desta terça-feira (23/06), no Plenário 13 de Maio, sessão solene em homenagem à conservação da Mata Atlântica no Ceará. A iniciativa, proposta pelo deputado Renato Roseno (Psol), reconheceu a atuação de organizações sociais, pesquisadores, movimentos socioambientais e representantes dos povos serranos que atuam na preservação do bioma em diferentes regiões do Estado.
Requerente da solenidade e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alece, o deputado Renato Roseno abriu a solenidade destacando o processo histórico de exploração dos recursos naturais desde o período da colonização e alertou para os impactos provocados por atividades econômicas que avançam sobre áreas ambientalmente sensíveis.
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Deputado Renato Roseno (Psol) - Foto: Máximo Moura
O parlamentar ressaltou que o bioma sofreu, historicamente, sucessivos ciclos de degradação ao longo dos séculos, tornando ainda mais relevante o trabalho desenvolvido por pesquisadores, educadores ambientais e ativistas.
“É importante elogiar aqueles que se dedicam à educação ambiental, aos que fazem incidência política junto aos poderes públicos, à pesquisa, catalogação e ao entendimento da Mata Atlântica. Por isso estamos aqui em respeito a vocês, em reconhecimento a essas inúmeras atividades”, afirmou.
Renato Roseno também defendeu a compatibilização entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. “É uma falácia destruir ecossistemas para se procurar desenvolvimento econômico. Sacrificar a natureza em nome do PIB não foi razoável para a sociedade no passado e não será agora”, observou. Ele alertou ainda sobre a necessidade de ampliar a recuperação de áreas degradadas e fortalecer tecnologias que permitam o desenvolvimento sustentável, sem comprometer os recursos naturais.
A presidente da Associação Ecoar Café, Mônica Farias, destacou a importância da valorização da cultura cafeeira associada à preservação ambiental na Serra de Baturité. Ela lembrou o trabalho desenvolvido pela entidade para revitalizar a produção do café arábica ancestral cultivado na região e ressaltou os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“Nosso trabalho é revitalizar o café da Mata Atlântica no Ceará, com o café arábica ancestral da Serra de Baturité. É um trabalho longo, mas enriquecedor. Estamos sentindo diretamente os efeitos das mudanças climáticas e isso reforça ainda mais a importância da preservação ambiental”, afirmou.
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Presidente da Fundação Mata Atlântica Cearense, Ednaldo Vieira do Nascimento - Foto: Máximo Moura
O presidente da Fundação Mata Atlântica Cearense, Ednaldo Vieira do Nascimento, destacou a trajetória dos movimentos ambientalistas que atuam em defesa do bioma no Estado e observou que a Constituição Federal de 1988 representou um marco para a proteção ambiental ao reconhecer a Mata Atlântica como patrimônio nacional.
Ednaldo Vieira também defendeu a maior atenção às políticas de conservação e lembrou que a Mata Atlântica resistiu a diversos ciclos de degradação ao longo da história. “A Mata Atlântica é mãe das águas, que são o nosso ouro. Nós não estamos dando a devida atenção a esse patrimônio ambiental”, alertou.
Também representando os homenageados, a presidente do Movimento Salve Guaramiranga, Monara Uchoa, destacou a mobilização da sociedade civil em defesa do Maciço de Baturité. Ela explicou que o movimento surgiu em março de 2025 a partir da preocupação de moradores e entidades com os impactos ambientais enfrentados pela região.
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Representantes de diversas entidades participaram da sessão solene - Foto: Máximo Moura
De acordo com Monara, a preservação da Mata Atlântica ultrapassa os limites locais e possui relevância nacional e global. “A defesa do Maciço de Baturité não é uma causa local, mas nacional. Cada fragmento preservado ajuda a manter o equilíbrio do planeta. Quando a floresta desaparece, os impactos são imediatos. Conservar não é um luxo, é uma necessidade e um compromisso ético com as atuais e futuras gerações”, enfatizou
Ao todo, foram 17 pessoas homenageadas durante a solenidade. Compuseram a mesa do evento o deputado Renato Roseno (Psol); o vereador de Fortaleza, Gabriel Biologia (Psol); o presidente da Fundação Mata Atlântica Cearense, Ednaldo Vieira do Nascimento; a presidente da Associação Ecoar Café, Mônica Farias; o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Freire Moro; o capitão de Mar e Guerra, Rogério Pesse, que representou a Capitania dos Portos do Ceará; e a conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Marília Noleto.
Confira a íntegra da sessão solene:
Edição: Lusiana Freire
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